sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Descartando o mundo

A gente vive em um mundo descartável: sacolas, guardanapos, lenços, copos, moda, garrafas...Uma infinidade de materiais que servem pra alguma coisa por um tempo, mas depois se tornam inúteis.
Um outro produto vem se tornando mais e mais descartável: gente.
Vivi isso algumas vezes pelos dois lados: descartada e descartando. Péééééssimo, qualquer que seja o lado.

Depois de ser descartada, comecei a olhar pra mim tentando identificar se já tinha feito a mesma coisa. Quer saber? Já. Não foi por mal, não. O duro é que nem reparei. Penso que hoje a gente tem tanta coisa pra fazer, que não conseguindo fazer tudo, acaba deixando algo de lado. Isso inclui pessoas.

Fui descartada umas 2 vezes nos últimos 3 meses. Talvez até tenha sido outras vezes e nem notado (quem sabe estivesse no processo "descartador" com quem me estava descartando?). Enfim, foi estranho ser descartada. Me senti usada, bebida até o último gole e largada num lixão...num aterro...é, porque fazer o descarte ecologicamente correto dá trabalho. Você tem que dizer tchau, explicar porque ta descartando, talvez falar um pouco sobre o novo rumo que sua vida está tomando. Enfim, largar no lixão é mais fácil. Pode não ser saudável pra alguém, mas esse alguém definitivamente não é o “descartante”, pra quem é fácil e indolor.
Somos trocados por outros novos descartáveis após ter servido o último gole, secado a última lágrima, aquecido no último inverno.
Mas antes que eu seja achincalhada por essa...hum...divagação (hehehe), preciso dizer que, claro, NEM TODO MUNDO DESCARTA. Há os amigos verdadeiros. Aqueles que têm amor pelo que adquirem. Os que guardam em casa qualquer "tralha" que tenha aparecido em suas mãos ou vidas, até que seus armários estejam abarrotados. De amor.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Hoje acordei com o sabor da tua boca em minha boca. Acordei com teu cheiro em mim.
Difícil sentir teu cheiro e não te ter ao lado. Melhor não sentir nada.

Ou talvez seja a lembrança, melhor do que o nunca ter tido...

Eu hoje quis entrar na tua alma, para saber o que sentes por mim. Porque eu não sei o que sentes por mim. Ou penso que não sei. Mas na incerteza de não o saber, espera a minha alma por sinais.
Os hieróglifos na parede da tua mente me são insondáveis.
A minha mente não decodifica a tua.
Mas o meu trunfo, é que a tua nunca conheceu a minha.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mais do que a luz da inteligência humana,
adoro a escuridão do meu desejo;
sobre a verdade, pois, do quanto vejo,
quero o erro da esperança que me engana.


CAMPOAMOR (1817-1901)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Strata Dualitate

Te mapeei, como se mapeia uma estrada.
E enquanto caminhava na tua estrada, vi diferentes árvores.
A que mais se destacava era a da Inteligência, muito alta, chegando até quase o céu.
Vi uma outra, a árvore da Amabilidade, também grande, com seu tronco largo, carregada de frutos doces como mel. Interessante que da mesma raiz saia outro tronco, formando outra árvore – assim, grudada – mas tão diferente! Era uma árvore engraçada de se ver... a árvore do Mau Humor....era estranha, meio torta, e as vezes tinha dúvidas se queria aparecer. Dela, saiam vários ramos com frutos de Sarcasmo... não era uma árvore ruim... mas ao mesmo tempo, não era bom comer os frutos dela. Me diverti pensando quantas pessoas deveriam ter experimentado esses frutos grandes da árvore torta, achando que eram doces... comi alguns. Não eram amargos, mas deixavam um azedinho na boca antes de engolir. Parei e contei os ramos. Para cada ramo da árvore da Amabilidade carregada de doçura, tinha um ramo de Mau Humor carregado de humor ácido na outra árvore. Resolvi chamar de “Árvores Antagônicas”, porquê achei que era um nome suficientemente imponente, como uma árvore tão complexa merecia.
Nas laterais da estrada, vários arbustos bem cheios de folhas verdes clarinhas de Cordialidade. Outras, mais largas, eram as folhas da Comunicação. Tinha também alguns ramos cheinhos de folhas de Educação. Eram arbustos lindos de se ver. Alguns passarinhos fizeram ninho por ali. Acho que porquê no verão era um lugar bem fresquinho. A estrada era repleta destes arbustos.
Todos os arbustos eram cercados de matinhos da Curiosidade. Como tinha Curiosidade essa estrada!
Em todo o caminho, olhei para o chão e vi umas pedrinhas de Birra, que deixavam a estrada até interessante, com aspecto de meio rústica.Tinha muitas Birras pequenininhas aquela estrada... de várias cores: marrons claras, escuras, até Birras negras e brilhantes.
Vi que as vezes um riozinho atravessava a estrada... um rio de Agitação e Imprevisibilidade. Tinhas águas revoltas e frescas. Era uma espécie de rio de águas mágicas. Aparecia ao longo da estrada e de repente sumia, quando menos se esperava, geralmente quando sentia-se sede e necessitava-se das águas do rio.
Olhei cada árvore, levantei cada pedra, viajei em cada curva.
O mais interessante foi ver que, a cada quinhentos metros mais ou menos, a estrada se dividia em duas. Vi que nesses pontos havia placas com a inscrição Dualize, mostrando que cada um dos dois caminhos era oposto ao outro. Olhei para os caminhos divididos e enxerguei de longe uma estrada muito nova, de terra fofa e solta, tenra como criança; e outra, uma estrada de chão duro e terra escura, como eram as estradas experientes.
Olhei para trás, ao alcançar o fim da estrada e vi uma placa central, grande, escrita em letras azuis e em latim:
“STRATA DUALITATE”.
Então te entendi.
E sorri.

terça-feira, 7 de outubro de 2008


Ele era um Homem Sem Tempo.

Sem tempo para dormir
Sem tempo para escrever
Sem tempo para amar
Sem tempo para viver

O tempo do Homem Sem Tempo era o mesmo que dos outros homens.
Os homens que tinham tempo.
Era o tempo dado pela Vida.
Um tempo para ser preenchido inteirinho como ele quisesse.

Mas o Homem Sem Tempo não percebeu que ele podia escolher como usar todo aquele tempo.
Ele achava que cabia à Vida preencher seu tempo.
Na verdade, a Vida é que esperava ser preenchida com as escolhas que ele fazia.

Enquanto
estava
ocupado
com
suas
muitas
tarefas,

O HOMEM

sem tempo para dormir
sem tempo para escrever
sem tempo para amar
sem tempo para viver

Usava seu tempo para
sonhar com aquilo

QUE NÃO PODIA VIVER.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Já quis ser tantas coisas!
Acho que já quis ser quase tudo.

Quando era pequena, quis ser o básico. O que todo mundo quer ser: grande. Como admirava aquelas moças altas, que podiam usar maquiagem, e tinham peito! Eu olhava com inveja, e tudo o que eu mais queria era ser uma delas.
Pouco depois quis ser bailarina. Acho que toda menina tem uma fase quero-ser-bailarina-e-usar-cor-de-rosa. Durou pouco.
Mais tarde quis ser cantora. Na verdade, queria ser uma grande artista, adorada por todos os seres humanos extasiados com o meu dom. O unico problema é que eu cantava mal, mas o fato de não ter consciência disso me ajudou a sonhar por um tempo maior do que o ideal. Mais tarde compreendi porque minha avó dizia para eu descansar as cordas vocais. Na verdade ela queria descansar os ouvidos.

Teve um tempo em que eu quis ser professora. Nessa fase, meu sonho era mandar, e ter poder sobre a vida e a morte das crianças. Tudo isso usando apenas caneta azul, significando "viva" e caneta vermelha, decretando "morra". Queria muito fazer isso.

Quis ser policial, também. Pegar bandidos. Desisti quando soube que uma policial não podia usar maquiagem. Naquela época era assim.
Quis ser médica, e também bombeiro, aeromoça, caixa de supermercado, regente de orquestra, cientista e veterinária.

Acho que quis ser quase tudo.
Só não me lembro de ter pensado em ser circense. Mas hoje, devo admitir que as vezes me sinto meio ...como que palhaça...principalmente às vésperas de eleições....

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Com o tempo, e somente com o passar do tempo,
vem a maturidade...
surge a tranquilidade...
aparece a serenidade.

Essas coisas que vêm com a idade, não são propriamente "estados de espírito". Antes, são formas de se enxergar o mundo.

Formas mais maduras,
formas mais tranquilas,
formas mais serenas.

O presente recebido pelo mérito de se ter chegado 'a essa maturidade é a
F-E-L-I-C-I-D-A-D-E.
Esta sim, um estado de espírito.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cansei de ser iGUAL

IGUAL a todo mundo.

IGUAL a mim mesma.


Hoje eu procuro o...

DIFERENTE.


Quero SER DIFERENTE.
Quero VIVER DIFERENTE.

MAS...
se outros também pensam assim...
como eu...
então sou ...


IGUAL !


Hora é hora...sempre...
Não dá prá mexer no tempo...corrigir um dia...voltar atrás.
Hora é hora e ela passa, deixando um rastro de vida.
Minutos são vivências....boas, ruins, não importa.
São momentos.
Momentos de cada um.
Momentos meus.
Os meus, são meus.

Ouço a chuva lá fora, agora.
Ouço uma música aqui dentro, agora.
Vivo agora.

A minha hora é diferente da hora de qualquer outra pessoa.
É MINHA hora.
E minha hora, é agora.