terça-feira, 16 de dezembro de 2008



Desejo à você...
amigos que te abracem forte quando precisar chorar, e que comemorem seus momentos de alegria como se fossem deles próprios...
(amigos de verdade...)
Desejo que os seus momentos de doçura sejam todos infinitos
(assim, os de amargura não vão existir)
Desejo à você força e esperança redobradas
(principalmente em você mesmo e em Deus)
Desejo muitos dias de sol gostoso com céu claro e azul
(inclusive nos dias de muita chuva)

Desejo que você nunca tenha que se separar de quem realmente ama
(as pessoas amadas são como extensão de nossa alma)
E que você sempre ouça o seu próprio coração
(que a paz em seu coração seja sempre o juiz sobre suas decisões – Colossenses 3:15)
Desejo que você enxergue flores mesmo quando os caminhos parecerem de pedras
(creia, as flores sempre estarão lá)
Desejo à você
todo o bem,
todo amor,
E o riso dos que vivem em paz
(Luz Noturna)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Delícias

SORRISO DE FILHOS, sorvete em dia quente, barulho do mar, ABRAÇO, CAFÉ COM LEITE PELA MANHÃ, andar de bicicleta, SOL NO ROSTO NO FIM DA TARDE, dormir com barulho de chuva, MÚSICA, escrever, CRIAR, NOITE QUENTE COM LUA CHEIA, DAR RISADA POR QUALQUER BOBAGEM, andar descalça na areia, CANTAR MESMO DESAFINANDO, CHEIRO DO MAR, dormir no sofá domingo à tarde, BOLO DE CHOCOLATE COM LEITE CONDENSADO, FÉRIAS, livro daqueles que não dá prá parar de ler, FAMÍLIA, AMIGOS, AMOR...

domingo, 23 de novembro de 2008

Porto solidão...


Meu coração,
a calma de um mar
que guarda tamanhos segredos,
diversos naufragados e sem tempo...

Rimas, de ventos e velas
Vida que vem e que vai
A solidão que fica e entra
Me arremessando contra o cais...

(Porto Solidão - Jessé)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Enquanto te esperava

Enquanto te esperava,
o sol secou a chuva que caiu sobre o meu corpo.
O dia deu lugar à outra noite.
Meu coração começou a desistir do teu.
Não, meu coração não desistiu do teu.
Só desistiu de esperar .

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Águas turvas

Turvas águas, águas turvas,
não puxes ninguem prá teu leito escuro
aplaca tua ira... não vês que amarguro?

turvas águas, águas turvas...

Devolve a salvo ao que engoles sem dó
consente que viva quem já está só

Turvas águas, águas turvas

És água revolta em tal rio ferino
e escoas tuas dores em mar cristalino

Turvas águas, águas turvas

Lamento teu choro, mas peço-te que o soltes
que aquele a quem amo, enfim, à mim volte

turvas águas, águas turvas...

Teus braços de rios sempre assim tão frios
vai tudo arrastando em teu desvario
prescrutam e sondam quem contigo levas
mas no caso dele, te peço, releva!

Não o queiras ter em teu leito de queixas!

afrouxa teus braços

como num cansaço

para que ele escape

e volte à...

Luz.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008


PONTOS não são PONTO FINAL.
Pontos terminam frases. Parágrafos. Porém, não um TEXTO INTEIRO.
Pontos até fazem parecer que terminou. Mas, só depois, com a continuação do Texto, vemos que foi apenas um Ponto. Não um Ponto Final.
O Ponto permite continuidade. Permite mais uma volta, abre espaço prá mais um encontro...encontro entre palavras, entre novas frases...
O Ponto Final, não. Ele decide o fim. A não continuidade.
Não há talvez.
Não há "quem sabe...?"
Não há "então, um dia...".
Por que Ponto Final faz a estória terminar, e a página virar.

E Ponto Final.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Descartando o mundo

A gente vive em um mundo descartável: sacolas, guardanapos, lenços, copos, moda, garrafas...Uma infinidade de materiais que servem pra alguma coisa por um tempo, mas depois se tornam inúteis.
Um outro produto vem se tornando mais e mais descartável: gente.
Vivi isso algumas vezes pelos dois lados: descartada e descartando. Péééééssimo, qualquer que seja o lado.

Depois de ser descartada, comecei a olhar pra mim tentando identificar se já tinha feito a mesma coisa. Quer saber? Já. Não foi por mal, não. O duro é que nem reparei. Penso que hoje a gente tem tanta coisa pra fazer, que não conseguindo fazer tudo, acaba deixando algo de lado. Isso inclui pessoas.

Fui descartada umas 2 vezes nos últimos 3 meses. Talvez até tenha sido outras vezes e nem notado (quem sabe estivesse no processo "descartador" com quem me estava descartando?). Enfim, foi estranho ser descartada. Me senti usada, bebida até o último gole e largada num lixão...num aterro...é, porque fazer o descarte ecologicamente correto dá trabalho. Você tem que dizer tchau, explicar porque ta descartando, talvez falar um pouco sobre o novo rumo que sua vida está tomando. Enfim, largar no lixão é mais fácil. Pode não ser saudável pra alguém, mas esse alguém definitivamente não é o “descartante”, pra quem é fácil e indolor.
Somos trocados por outros novos descartáveis após ter servido o último gole, secado a última lágrima, aquecido no último inverno.
Mas antes que eu seja achincalhada por essa...hum...divagação (hehehe), preciso dizer que, claro, NEM TODO MUNDO DESCARTA. Há os amigos verdadeiros. Aqueles que têm amor pelo que adquirem. Os que guardam em casa qualquer "tralha" que tenha aparecido em suas mãos ou vidas, até que seus armários estejam abarrotados. De amor.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Hoje acordei com o sabor da tua boca em minha boca. Acordei com teu cheiro em mim.
Difícil sentir teu cheiro e não te ter ao lado. Melhor não sentir nada.

Ou talvez seja a lembrança, melhor do que o nunca ter tido...

Eu hoje quis entrar na tua alma, para saber o que sentes por mim. Porque eu não sei o que sentes por mim. Ou penso que não sei. Mas na incerteza de não o saber, espera a minha alma por sinais.
Os hieróglifos na parede da tua mente me são insondáveis.
A minha mente não decodifica a tua.
Mas o meu trunfo, é que a tua nunca conheceu a minha.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mais do que a luz da inteligência humana,
adoro a escuridão do meu desejo;
sobre a verdade, pois, do quanto vejo,
quero o erro da esperança que me engana.


CAMPOAMOR (1817-1901)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Strata Dualitate

Te mapeei, como se mapeia uma estrada.
E enquanto caminhava na tua estrada, vi diferentes árvores.
A que mais se destacava era a da Inteligência, muito alta, chegando até quase o céu.
Vi uma outra, a árvore da Amabilidade, também grande, com seu tronco largo, carregada de frutos doces como mel. Interessante que da mesma raiz saia outro tronco, formando outra árvore – assim, grudada – mas tão diferente! Era uma árvore engraçada de se ver... a árvore do Mau Humor....era estranha, meio torta, e as vezes tinha dúvidas se queria aparecer. Dela, saiam vários ramos com frutos de Sarcasmo... não era uma árvore ruim... mas ao mesmo tempo, não era bom comer os frutos dela. Me diverti pensando quantas pessoas deveriam ter experimentado esses frutos grandes da árvore torta, achando que eram doces... comi alguns. Não eram amargos, mas deixavam um azedinho na boca antes de engolir. Parei e contei os ramos. Para cada ramo da árvore da Amabilidade carregada de doçura, tinha um ramo de Mau Humor carregado de humor ácido na outra árvore. Resolvi chamar de “Árvores Antagônicas”, porquê achei que era um nome suficientemente imponente, como uma árvore tão complexa merecia.
Nas laterais da estrada, vários arbustos bem cheios de folhas verdes clarinhas de Cordialidade. Outras, mais largas, eram as folhas da Comunicação. Tinha também alguns ramos cheinhos de folhas de Educação. Eram arbustos lindos de se ver. Alguns passarinhos fizeram ninho por ali. Acho que porquê no verão era um lugar bem fresquinho. A estrada era repleta destes arbustos.
Todos os arbustos eram cercados de matinhos da Curiosidade. Como tinha Curiosidade essa estrada!
Em todo o caminho, olhei para o chão e vi umas pedrinhas de Birra, que deixavam a estrada até interessante, com aspecto de meio rústica.Tinha muitas Birras pequenininhas aquela estrada... de várias cores: marrons claras, escuras, até Birras negras e brilhantes.
Vi que as vezes um riozinho atravessava a estrada... um rio de Agitação e Imprevisibilidade. Tinhas águas revoltas e frescas. Era uma espécie de rio de águas mágicas. Aparecia ao longo da estrada e de repente sumia, quando menos se esperava, geralmente quando sentia-se sede e necessitava-se das águas do rio.
Olhei cada árvore, levantei cada pedra, viajei em cada curva.
O mais interessante foi ver que, a cada quinhentos metros mais ou menos, a estrada se dividia em duas. Vi que nesses pontos havia placas com a inscrição Dualize, mostrando que cada um dos dois caminhos era oposto ao outro. Olhei para os caminhos divididos e enxerguei de longe uma estrada muito nova, de terra fofa e solta, tenra como criança; e outra, uma estrada de chão duro e terra escura, como eram as estradas experientes.
Olhei para trás, ao alcançar o fim da estrada e vi uma placa central, grande, escrita em letras azuis e em latim:
“STRATA DUALITATE”.
Então te entendi.
E sorri.

terça-feira, 7 de outubro de 2008


Ele era um Homem Sem Tempo.

Sem tempo para dormir
Sem tempo para escrever
Sem tempo para amar
Sem tempo para viver

O tempo do Homem Sem Tempo era o mesmo que dos outros homens.
Os homens que tinham tempo.
Era o tempo dado pela Vida.
Um tempo para ser preenchido inteirinho como ele quisesse.

Mas o Homem Sem Tempo não percebeu que ele podia escolher como usar todo aquele tempo.
Ele achava que cabia à Vida preencher seu tempo.
Na verdade, a Vida é que esperava ser preenchida com as escolhas que ele fazia.

Enquanto
estava
ocupado
com
suas
muitas
tarefas,

O HOMEM

sem tempo para dormir
sem tempo para escrever
sem tempo para amar
sem tempo para viver

Usava seu tempo para
sonhar com aquilo

QUE NÃO PODIA VIVER.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Já quis ser tantas coisas!
Acho que já quis ser quase tudo.

Quando era pequena, quis ser o básico. O que todo mundo quer ser: grande. Como admirava aquelas moças altas, que podiam usar maquiagem, e tinham peito! Eu olhava com inveja, e tudo o que eu mais queria era ser uma delas.
Pouco depois quis ser bailarina. Acho que toda menina tem uma fase quero-ser-bailarina-e-usar-cor-de-rosa. Durou pouco.
Mais tarde quis ser cantora. Na verdade, queria ser uma grande artista, adorada por todos os seres humanos extasiados com o meu dom. O unico problema é que eu cantava mal, mas o fato de não ter consciência disso me ajudou a sonhar por um tempo maior do que o ideal. Mais tarde compreendi porque minha avó dizia para eu descansar as cordas vocais. Na verdade ela queria descansar os ouvidos.

Teve um tempo em que eu quis ser professora. Nessa fase, meu sonho era mandar, e ter poder sobre a vida e a morte das crianças. Tudo isso usando apenas caneta azul, significando "viva" e caneta vermelha, decretando "morra". Queria muito fazer isso.

Quis ser policial, também. Pegar bandidos. Desisti quando soube que uma policial não podia usar maquiagem. Naquela época era assim.
Quis ser médica, e também bombeiro, aeromoça, caixa de supermercado, regente de orquestra, cientista e veterinária.

Acho que quis ser quase tudo.
Só não me lembro de ter pensado em ser circense. Mas hoje, devo admitir que as vezes me sinto meio ...como que palhaça...principalmente às vésperas de eleições....

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Com o tempo, e somente com o passar do tempo,
vem a maturidade...
surge a tranquilidade...
aparece a serenidade.

Essas coisas que vêm com a idade, não são propriamente "estados de espírito". Antes, são formas de se enxergar o mundo.

Formas mais maduras,
formas mais tranquilas,
formas mais serenas.

O presente recebido pelo mérito de se ter chegado 'a essa maturidade é a
F-E-L-I-C-I-D-A-D-E.
Esta sim, um estado de espírito.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cansei de ser iGUAL

IGUAL a todo mundo.

IGUAL a mim mesma.


Hoje eu procuro o...

DIFERENTE.


Quero SER DIFERENTE.
Quero VIVER DIFERENTE.

MAS...
se outros também pensam assim...
como eu...
então sou ...


IGUAL !


Hora é hora...sempre...
Não dá prá mexer no tempo...corrigir um dia...voltar atrás.
Hora é hora e ela passa, deixando um rastro de vida.
Minutos são vivências....boas, ruins, não importa.
São momentos.
Momentos de cada um.
Momentos meus.
Os meus, são meus.

Ouço a chuva lá fora, agora.
Ouço uma música aqui dentro, agora.
Vivo agora.

A minha hora é diferente da hora de qualquer outra pessoa.
É MINHA hora.
E minha hora, é agora.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

era noite ao nos conhecermos.
Falamos de coisas amenas no início.
Início despretencioso. Receoso.
Falamos muito, ouvimos tudo.
Quisemos mais.
Demos risada, contamos sonhos. Quase choramos.
Nos descobrimos, e descobrimos. E descobrimos...
Já era dia quando nos deixamos,
inebriados por conversas bebidas a dois.
Já quase UM.
A madrugada foi testemunha de nosso encontro e silenciou.
Espreitou.
Riu.
Quase chorou.

À tua órbita.



Que atração é essa, que exerces em mim?
Como me capturas assim?
Sem perceber fui me achegando...
tão perto....tão perto...

Fico assim, presa à ti
Quero deitar em tua órbita e lá ficar.

Metade

(Aqui, apenas a "metade" do poema de Oswaldo Montenegro.
A metade que me fala.
A metade que me cala)



Que a FORÇA do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que ANSEIO.
Que a MORTE de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu GRITO,
mas a outra metade é silêncio...
Porque METADE de mim é partida,
mas a outra metade é SAUDADE.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a OUTRA metade é o que calo.
Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um VULCÃO.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce SORRISO, que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a LEMBRANÇA do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples ALEGRIA
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu SILÊNCIO me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.
E que a minha LOUCURA seja perdoada.
Porque metade de mim é AMOR,
e a outra metade...
também.

Osw­aldo Montenegro

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ai, coração...

Coração,
vê se entende...
melhor é não amar.
A vida seria mais simples,
escolhas talvez mais fáceis,
cada coisa em seu lugar,
coração.

Coração,
vê se compreende...
Melhor olhar com os olhos da mente.
Ela é sábia e racional,
decide tudo tão bem e
sem confusão,

coração.

Coração,
espelhe-se nos pés
que pisam somente o chão

onde a vida real acontece!
Ai, coração...
não me entristece!

Coração,

você quer pisar em nuvens!
Quer ir por lugares estranhos,
e insiste que seu tamanho

é maior que todo o resto.
Ah, coração, seja modesto...

Coração,
porquê quer ver com sentimentos?
Porquê não há argumentos
que o faça desistir?

Você dói, coração.
Coração, você dói.


Mas você,
coração,
você aquece meu peito,
e por isso,
não tem jeito,
acho que sempre vou
te ouvir.

domingo, 21 de setembro de 2008

Quem disse que o mundo é fácil, a vida é simples e dá prá ter tudo?

Não, o mundo não é fácil.

Não, a vida não é simples.

E - definitivamente - não, não dá prá se ter tudo.


As vezes a alegria empata com a tristeza. Faz parte.

As vezes chove mais do que faz Sol. É preciso.

As vezes... estamos longe... assim é a vida.



sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ah, o coração por tal distância!
Sentimentos...

Adentra, meu amor!

Na tempestade de sensações, afoga minha alma.
Transborda o meu corpo, de mim mesma tão guardado
para esse doce momento.
Me seca...com teu calor de ser Sol.

Eterniza.

Tu....
quem és?
Quem bate em minha porta?

Que trazes nas mãos
e no coração?
Quem se me apresenta?

Tu....
quem és?
Quem toca em minha vida?

O quê vai em tua mente?
Onde estão teus pés?
Onde queres pousar?

Tento enxergar-te além do vão.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Passagem - Fatima Irene Pinto


Tudo está consumado e já vai passando...é agora uma passagem branda, pacífica e sem tumultos...é uma travessia amena, serena e sem insultos, para que nossas retinas registrem e guardem apenas a doce lembrança de nossos iluminados e risonhos vultos, na hora do nosso único e supremo "culto " ...você nos meus braços - meu menino -e eu nos teus braços - tua menina.

Ao longo dos meses fomos assolados por tempestades revoltas, circunstâncias adversas...fomos pegos de surpresa pelo vendaval das nossas imperfeições e nosso amor, qual pequena muda que lograra crescer e ganhar altura, rendeu-se com espanto à noite escura de nossas diferenças, omissões,hostilidades confessas ou camufladas.

Eu sigo agora, carregando uma alma vazia.Tu segues pleno de ti mesmo, alimentado da adoração incomparável de poetisas solitárias, teresas e marias tantas...

Eu sigo carregando um legado estranho, que me chegou com todos os aparatos da tecnologia...um cartão e um poema que eu não inspirei e nem suscitei em ti...um cartão de rara beleza, maquiado com destreza por uma outra maria, onde se lê a apologia do imenso amor que tão bem sabes cultivar...por ti !

Caminho do Meio - Fatima Irene Pinto


Reparaste que eu avanço na exata proporção do teu recuo? Se te mantivesses no caminho do meio eu não precisaria avançar e tampouco tu precisarias recuar ...

Reparaste que eu encho a tua taça na mesma proporção de que ela se me apresenta sempre vazia? Se ela se mantivesse à meia borda, por certo eu não a transbordaria ...

Reparaste que eu falo demais na exata medida em que tu falas de menos? Se ao invés de silêncio retornasses as minhas falas, na tua fala, o meu próprio silêncio se equilibraria ...

Reparaste que todos os meus sins se contrapõem a todos os teus nãos ? Se houvesse alguns sins dentre os teus nãos, os meus próprios sins aprenderiam a dizer talvez e no talvez, os nossos sins e nãos se reconciliariam ...

Avança um pouco para que eu consiga recuar.
Transborda um tanto a minha taça para que eu possa esvaziar.
Rasga de leve o teu silêncio para que eu aprenda a me calar.
Articula algumas afirmações para que eu aprenda a me negar.
Fica da minha altura para que eu não tenha que esticar.
Equilibra assim os nossos pratos para além da nossa guerra de egos. ...

E só então, em plenitude e verdade, eu poderei te amar ...