segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Strata Dualitate

Te mapeei, como se mapeia uma estrada.
E enquanto caminhava na tua estrada, vi diferentes árvores.
A que mais se destacava era a da Inteligência, muito alta, chegando até quase o céu.
Vi uma outra, a árvore da Amabilidade, também grande, com seu tronco largo, carregada de frutos doces como mel. Interessante que da mesma raiz saia outro tronco, formando outra árvore – assim, grudada – mas tão diferente! Era uma árvore engraçada de se ver... a árvore do Mau Humor....era estranha, meio torta, e as vezes tinha dúvidas se queria aparecer. Dela, saiam vários ramos com frutos de Sarcasmo... não era uma árvore ruim... mas ao mesmo tempo, não era bom comer os frutos dela. Me diverti pensando quantas pessoas deveriam ter experimentado esses frutos grandes da árvore torta, achando que eram doces... comi alguns. Não eram amargos, mas deixavam um azedinho na boca antes de engolir. Parei e contei os ramos. Para cada ramo da árvore da Amabilidade carregada de doçura, tinha um ramo de Mau Humor carregado de humor ácido na outra árvore. Resolvi chamar de “Árvores Antagônicas”, porquê achei que era um nome suficientemente imponente, como uma árvore tão complexa merecia.
Nas laterais da estrada, vários arbustos bem cheios de folhas verdes clarinhas de Cordialidade. Outras, mais largas, eram as folhas da Comunicação. Tinha também alguns ramos cheinhos de folhas de Educação. Eram arbustos lindos de se ver. Alguns passarinhos fizeram ninho por ali. Acho que porquê no verão era um lugar bem fresquinho. A estrada era repleta destes arbustos.
Todos os arbustos eram cercados de matinhos da Curiosidade. Como tinha Curiosidade essa estrada!
Em todo o caminho, olhei para o chão e vi umas pedrinhas de Birra, que deixavam a estrada até interessante, com aspecto de meio rústica.Tinha muitas Birras pequenininhas aquela estrada... de várias cores: marrons claras, escuras, até Birras negras e brilhantes.
Vi que as vezes um riozinho atravessava a estrada... um rio de Agitação e Imprevisibilidade. Tinhas águas revoltas e frescas. Era uma espécie de rio de águas mágicas. Aparecia ao longo da estrada e de repente sumia, quando menos se esperava, geralmente quando sentia-se sede e necessitava-se das águas do rio.
Olhei cada árvore, levantei cada pedra, viajei em cada curva.
O mais interessante foi ver que, a cada quinhentos metros mais ou menos, a estrada se dividia em duas. Vi que nesses pontos havia placas com a inscrição Dualize, mostrando que cada um dos dois caminhos era oposto ao outro. Olhei para os caminhos divididos e enxerguei de longe uma estrada muito nova, de terra fofa e solta, tenra como criança; e outra, uma estrada de chão duro e terra escura, como eram as estradas experientes.
Olhei para trás, ao alcançar o fim da estrada e vi uma placa central, grande, escrita em letras azuis e em latim:
“STRATA DUALITATE”.
Então te entendi.
E sorri.

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