segunda-feira, 29 de setembro de 2008

era noite ao nos conhecermos.
Falamos de coisas amenas no início.
Início despretencioso. Receoso.
Falamos muito, ouvimos tudo.
Quisemos mais.
Demos risada, contamos sonhos. Quase choramos.
Nos descobrimos, e descobrimos. E descobrimos...
Já era dia quando nos deixamos,
inebriados por conversas bebidas a dois.
Já quase UM.
A madrugada foi testemunha de nosso encontro e silenciou.
Espreitou.
Riu.
Quase chorou.

À tua órbita.



Que atração é essa, que exerces em mim?
Como me capturas assim?
Sem perceber fui me achegando...
tão perto....tão perto...

Fico assim, presa à ti
Quero deitar em tua órbita e lá ficar.

Metade

(Aqui, apenas a "metade" do poema de Oswaldo Montenegro.
A metade que me fala.
A metade que me cala)



Que a FORÇA do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que ANSEIO.
Que a MORTE de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu GRITO,
mas a outra metade é silêncio...
Porque METADE de mim é partida,
mas a outra metade é SAUDADE.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a OUTRA metade é o que calo.
Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um VULCÃO.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce SORRISO, que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a LEMBRANÇA do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples ALEGRIA
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu SILÊNCIO me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.
E que a minha LOUCURA seja perdoada.
Porque metade de mim é AMOR,
e a outra metade...
também.

Osw­aldo Montenegro

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ai, coração...

Coração,
vê se entende...
melhor é não amar.
A vida seria mais simples,
escolhas talvez mais fáceis,
cada coisa em seu lugar,
coração.

Coração,
vê se compreende...
Melhor olhar com os olhos da mente.
Ela é sábia e racional,
decide tudo tão bem e
sem confusão,

coração.

Coração,
espelhe-se nos pés
que pisam somente o chão

onde a vida real acontece!
Ai, coração...
não me entristece!

Coração,

você quer pisar em nuvens!
Quer ir por lugares estranhos,
e insiste que seu tamanho

é maior que todo o resto.
Ah, coração, seja modesto...

Coração,
porquê quer ver com sentimentos?
Porquê não há argumentos
que o faça desistir?

Você dói, coração.
Coração, você dói.


Mas você,
coração,
você aquece meu peito,
e por isso,
não tem jeito,
acho que sempre vou
te ouvir.

domingo, 21 de setembro de 2008

Quem disse que o mundo é fácil, a vida é simples e dá prá ter tudo?

Não, o mundo não é fácil.

Não, a vida não é simples.

E - definitivamente - não, não dá prá se ter tudo.


As vezes a alegria empata com a tristeza. Faz parte.

As vezes chove mais do que faz Sol. É preciso.

As vezes... estamos longe... assim é a vida.



sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ah, o coração por tal distância!
Sentimentos...

Adentra, meu amor!

Na tempestade de sensações, afoga minha alma.
Transborda o meu corpo, de mim mesma tão guardado
para esse doce momento.
Me seca...com teu calor de ser Sol.

Eterniza.

Tu....
quem és?
Quem bate em minha porta?

Que trazes nas mãos
e no coração?
Quem se me apresenta?

Tu....
quem és?
Quem toca em minha vida?

O quê vai em tua mente?
Onde estão teus pés?
Onde queres pousar?

Tento enxergar-te além do vão.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Passagem - Fatima Irene Pinto


Tudo está consumado e já vai passando...é agora uma passagem branda, pacífica e sem tumultos...é uma travessia amena, serena e sem insultos, para que nossas retinas registrem e guardem apenas a doce lembrança de nossos iluminados e risonhos vultos, na hora do nosso único e supremo "culto " ...você nos meus braços - meu menino -e eu nos teus braços - tua menina.

Ao longo dos meses fomos assolados por tempestades revoltas, circunstâncias adversas...fomos pegos de surpresa pelo vendaval das nossas imperfeições e nosso amor, qual pequena muda que lograra crescer e ganhar altura, rendeu-se com espanto à noite escura de nossas diferenças, omissões,hostilidades confessas ou camufladas.

Eu sigo agora, carregando uma alma vazia.Tu segues pleno de ti mesmo, alimentado da adoração incomparável de poetisas solitárias, teresas e marias tantas...

Eu sigo carregando um legado estranho, que me chegou com todos os aparatos da tecnologia...um cartão e um poema que eu não inspirei e nem suscitei em ti...um cartão de rara beleza, maquiado com destreza por uma outra maria, onde se lê a apologia do imenso amor que tão bem sabes cultivar...por ti !

Caminho do Meio - Fatima Irene Pinto


Reparaste que eu avanço na exata proporção do teu recuo? Se te mantivesses no caminho do meio eu não precisaria avançar e tampouco tu precisarias recuar ...

Reparaste que eu encho a tua taça na mesma proporção de que ela se me apresenta sempre vazia? Se ela se mantivesse à meia borda, por certo eu não a transbordaria ...

Reparaste que eu falo demais na exata medida em que tu falas de menos? Se ao invés de silêncio retornasses as minhas falas, na tua fala, o meu próprio silêncio se equilibraria ...

Reparaste que todos os meus sins se contrapõem a todos os teus nãos ? Se houvesse alguns sins dentre os teus nãos, os meus próprios sins aprenderiam a dizer talvez e no talvez, os nossos sins e nãos se reconciliariam ...

Avança um pouco para que eu consiga recuar.
Transborda um tanto a minha taça para que eu possa esvaziar.
Rasga de leve o teu silêncio para que eu aprenda a me calar.
Articula algumas afirmações para que eu aprenda a me negar.
Fica da minha altura para que eu não tenha que esticar.
Equilibra assim os nossos pratos para além da nossa guerra de egos. ...

E só então, em plenitude e verdade, eu poderei te amar ...