segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Metade

(Aqui, apenas a "metade" do poema de Oswaldo Montenegro.
A metade que me fala.
A metade que me cala)



Que a FORÇA do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que ANSEIO.
Que a MORTE de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu GRITO,
mas a outra metade é silêncio...
Porque METADE de mim é partida,
mas a outra metade é SAUDADE.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a OUTRA metade é o que calo.
Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um VULCÃO.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce SORRISO, que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim é a LEMBRANÇA do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples ALEGRIA
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu SILÊNCIO me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.
E que a minha LOUCURA seja perdoada.
Porque metade de mim é AMOR,
e a outra metade...
também.

Osw­aldo Montenegro

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