Reparaste que eu avanço na exata proporção do teu recuo? Se te mantivesses no caminho do meio eu não precisaria avançar e tampouco tu precisarias recuar ...
Reparaste que eu encho a tua taça na mesma proporção de que ela se me apresenta sempre vazia? Se ela se mantivesse à meia borda, por certo eu não a transbordaria ...
Reparaste que eu falo demais na exata medida em que tu falas de menos? Se ao invés de silêncio retornasses as minhas falas, na tua fala, o meu próprio silêncio se equilibraria ...
Reparaste que todos os meus sins se contrapõem a todos os teus nãos ? Se houvesse alguns sins dentre os teus nãos, os meus próprios sins aprenderiam a dizer talvez e no talvez, os nossos sins e nãos se reconciliariam ...
Avança um pouco para que eu consiga recuar.
Transborda um tanto a minha taça para que eu possa esvaziar.
Rasga de leve o teu silêncio para que eu aprenda a me calar.
Articula algumas afirmações para que eu aprenda a me negar.
Fica da minha altura para que eu não tenha que esticar.
Equilibra assim os nossos pratos para além da nossa guerra de egos. ...
E só então, em plenitude e verdade, eu poderei te amar ...
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